A CONCENTRAÇÃO FUNDIÁRIA E OS CONFLITOS NO CAMPO / AGRONEGÓCIO
A organização do
espaço rural brasileiro se caracteriza pela diversidade social e
econômica presente em vários aspectos, como a grande propriedade
monocultora, a mecanização e a mão de obra disponível, além da
concentração de terras e os conflitos dela decorrentes.
A estrutura
fundiária de um país refere-se a forma como os estabelecimentos rurais
estão organizados em relação ao número e tamanho das propriedades, sua
função social e sua distribuição.
A concentração de terras no Brasil,
que teve origem desde a formação das capitanias hereditárias, é um dos
aspectos da herança colonial do país. A partir da década de 1950, os
camponeses começaram a se organizar em movimentos de luta pelo acesso à
terra. Com o agravamento dos problemas sociais no campo, tais movimentos
tornara-se mais fortes e mais bem estruturados. Na década de 1980, os
movimentos sociais no campo ganharam nova força com a criação do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Por outro lado, os
grandes proprietários (latifundiários) criaram a União Democrática
Ruralista (UDR), entidade que liderou a luta contra a reforma agrária no
país.
Reforma agrária consiste em um conjunto de medidas e ações
governamentais que tem como objetivo promover a redistribuição das
propriedades rurais e criação mecanismos (como financiamentos e apoio
técnico) que possibilitem que a terra cumpra com sua função social, ou
seja, a geração de fonte de produção de alimentos, trabalho e renda,
proporcionando ao trabalhador rural uma vida digna, integrando-os assim
ao processo produtivo nacional. As terras destinadas á reforma agrária
são aquelas que não cumprem com sua função social, ou seja, que pouco ou
nada produzem, ficando ociosas à espera de valorização.
A reforma
agrária é um processo conflituoso e que, no Brasil, está longe de ser
concluído, ainda gerando frequentes enfrentamentos, cada vez mais
intensos, entre os latifundiários e os movimentos sociais que lutam pelo
acesso a terra. De um lado, como forma de pressão para o governo
implantar a reforma agrária, o MST e outras organizações ligadas à
questão agrária utilizam como estratégia a invasão e ocupação de
latifúndios. Do outro lado, os latifundiários utilizam-se da violência
como forma de repressão aos movimentos sociais no campo, além da
apropriação de maneira ilegal de terras, através da falsificação de
títulos de propriedade (grilagem). A luta pela reforma agrária no Brasil
já causou e continua causando muitas mortes no campo. Para muitos
especialistas, a reforma agrária, acompanhada de ajuda técnica e
financiamentos seria fundamental para fixar o trabalhador no campo e
aumentar a produção de alimentos para o abastecimento do mercado
interno, além de resgatar a dignidade de milhões de trabalhadores que
buscam melhores condições de vida.
AGRONEGÓCIO (Agribusiness)
Cadeia
produtiva que envolve a produção agropecuária, seu armazenamento,
transporte, transformação em produtos industrializados, distribuição e
venda desses produtos. Também faz parte do agronegócio a produção e
comercialização de insumos agrícolas (sementes, fertilizantes), máquinas
e equipamentos destinados ao setor agropecuário.
De acordo com dados
do Ministério da Agricultura, o agronegócio é responsável por 33% do
Produto Interno Bruto (PIB), 42% das exportações totais e 37% dos
empregos gerados no Brasil.
O agronegócio envolve a aplicação de
grandes investimentos em equipamentos e técnicas modernas de produção. O
aumento da produtividade do agronegócio representa para o Brasil a
possibilidade de crescimento das exportações de produtos como a soja,
carne, café, suco de laranja, frutas tropicais e biocombustíveis, os
quais ocupam papel estratégico na inserção do Brasil na economia
globalizada. Atualmente o Brasil é uma grande potência agrícola,
constituindo-se em um dos principais exportadores mundiais de
commodities agrícolas.
A modernização econômica subordinou a
agropecuária às necessidades do capital urbano-industrial,
transformando-a em complexos agroindustriais, fortemente integrados com a
indústria e o setor financeiro. . Além da produção de alimentos e
matérias-primas industriais, os complexos agroindustriais atuam na
produção de biocombustíveis, ampliando assim a produção de soja e cana
de açúcar. A produção de biocombustíveis no Brasil vem dividindo
opiniões. Se, por um lado, traz benefícios, como a redução da poluição e
geração de fontes de energia alternativas, por outro, o cultivo das
matérias-primas tem avançado, de maneira indiscriminada, para áreas que
abrigam importantes ecossistemas, como a Amazônia e o Cerrado, além de
áreas antes destinadas à produção de alimentos.
Os complexos agroindustriais se apresentam como:
Unidades
empresariais- utilizam-se de trabalho assalariado, dominam a produção
de açúcar e álcool de cana e destacam-se entre os produtores de soja do
Centro- Oeste e do Paraná, os cafeicultores de Minas Gerais e os
pecuaristas do oeste do estado de São Paulo e do Brasil central.
Unidades
familiares modernas- destacam-se na produção de laranja, no estado de
São Paulo, fumo e uva no Rio Grande do Sul, aves e suínos em Santa
Catarina e de uva e frutas tropicais em terras semiáridas irrigadas do
nordeste, com destaque para o complexo agroindustrial
Juazeiro-Petrolina.
Atualmente há diversas culturas com alta demanda
de investimentos e de técnicas sendo produzidas em unidades familiares,
como os produtores de frutas tropicais (mamão, goiaba, manga) no sertão
nordestino e de morango no Sul e Sudeste do Brasil
Os empresários
rurais tem facilidades de acesso aos financiamentos bancários e
inovações tecnológicas desenvolvidas pelas empresas de pesquisa
agropecuária. Já os produtores familiares geralmente dependem de grandes
cooperativas, associadas às empresas de transformação agroindustrial,
para ter acesso a capitais, tecnologias e mercados., tornando-se assim
um elemento mais frágil dentro da cadeia produtiva. Em momentos de
crise, os produtores familiares são os mais atingidos, que acabam se
endividando no mercado financeiro e, muitas vezes, perdendo suas terras.
O
agronegócio é um fator importante no desenvolvimento e ampliação de
cidades, atividades comerciais, centros de pesquisa e tecnologia,
fatores fundamentais para o crescimento do país. Por outro lado, também
acarreta no desemprego no campo, na concentração fundiária, na
monocultura e no risco de destruição de importantes ecossistemas.
principais produtos agricolas:
Café
Quando o café chegou ao Brasil era considerado como uma planta ornamental.
Em 1860 o café tornou-se definitivamente importante na economia brasileira, ao
chegar à região de Campinas, no Estado de São Paulo.
A partir deste fato, o café encontrou condições físicas favoráveis para o seu
desenvolvimento, tais como: solo fértil, clima tropical de altitude, planalto
ondulado.
Rapidamente, o café atingiu lotes a oeste do Estado, e posteriormente ocupou o
Norte do PR, Sul de Minas e MS. O Brasil é considerado o maior produtor mundial
de café.
Cacau
O cacau é um produto que nasceu no Brasil, sendo cultivado primeiramente na
Amazônia e atingindo o sul da Bahia, onde encontrou condições favoráveis para o
seu desenvolvi emento, como clima quente e superúmido, solo espesso e fértil.
Atualmente, a Bahia tem o cacau como o seu principal produto agrícola, sendo o
maior Estado produtor de cacau do país.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de cacau, exportando
principalmente para a Argentina, Estados Unidos, Europa e Japão.
Cana de açucar

A cana-de-açúcar chegou ao Brasil no século XVI através dos portugueses.
Inicialmente, este produto era cultivado principalmente na Zona da Mata
Nordestina e no Recôncavo Baiano.
A cana-de-açúcar representa um importante produto na economia do Brasil.
Em 1930, o cultivo de cana-de-açúcar atingiu o Estado de São Paulo, que logo
tornou-se o maior produtor brasileiro de cana.
O Brasil é considerado o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, exportando
principalmente para os Estados Unidos, Europa e Rússia.
Ultimamente, houve um crescimento do investimento na mecanização da cultura
de cana, pois esta técnica traz vantagens econômicas e ambientais, porém o
número de trabalhadores da indústria canavieira deve sofrer uma drástica
redução.]

SOJA
A soja é um produto recente no Brasil, e nas últimas décadas tem se tornado
importante na produção agrícola brasileira, e nas exportações.
No Brasil, as regiões Sul e Sudeste são as principais produtoras de soja, sendo
o Rio Grande do Sul o maior produtor brasileiro.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, o primeiro é os Estados
Unidos.
MILHO
O milho é um produto que nasceu na América, e é muito conhecido no mundo
todo. No Brasil, a sua cultura está presente em todos os Estados, sendo o
Paraná o principal produtor de milho.
Mundialmente, os Estados Unidos é o maior produtor de milho, seguido da China e
do Brasil.
ARROZ
No
Brasil encontramos a cultura de arroz em todos os estados, sendo o Rio Grande
do Sul o maior produtor brasileiro, seguido de Minas Gerais e Goiás.
O Brasil é considerado um dos maiores produtores mundiais de arroz.
ALGODÃO
No
Brasil, o algodão começou a ser cultivado no período colonial.
O Brasil ocupa a 6ª colocação dos maiores produtores mundiais de algodão, sendo
superado pela China, Rússia, EUA, Índia e Paquistão